20050817

Réquiem para Vários Sonhos

Recentemente lí um artigo, intitulado "Réquiem para o Futuro", que discute o que aconteceu com aquele futuro que nos era apresentado pelos livros de Ficção Científica que lemos ainda quando criança. Onde estão as viagens espaciais, onde estão as colônias espaciais e todas aquelas maravilhas que incutiam em nossa mente?
Assim como várias crianças, já sonhei em ser astronauta, mas hoje vejo que seria uma área pouco "divertida" ou desafiadora, não vamos a Marte, tampouco à lua. Limitamo-nos a ir e voltar de uma estação espacial falida e as notícias mais marcantes são as de que o ônibus espacial pousou com segurança ou que uma companhia privada está levando passageiros para o espaço por "míseros" US$ 100 mil.
Esse foi um dos meus sonhos... não está no passado, mas certamente, com esses eventos presentes, deixa de estar no futuro, torna-se apenas um desejo impensável de busca por aquilo que não conhecemos.
Como outros, mais nerds, sonhei em ser "Cientista Louco", daqueles que criam coisas... foi o que me levou à área computacional, o que me fez seguir uma carreira acadêmica para descobrir coisas novas.
Quando entrei para a Academia, ainda como estudante de Graduação na Universidade Federal de Uberlândia, fui encorajado por muitos professores a pesquisar, correr atrás de informação, aprender a partir de informações já existentes e criar novas informações a partir de idéias e ideais. Um sonho em realização.
Entro no programa de Mestrado em 2001, mais um grande passo, realizo pesquisas em Computação Gráfica para produção de um arcabouço (framework) que visa auxiliar a produção de jogos e software com gráficos 3D e animação, mas meu orientador não mais se interessa por essa área, me orienta à distância e se afasta do projeto. Não o divulga, não o conduz como deveria ser... e vem a primeira decepção, trabalho (ainda) no limbo.
Findo o Mestrado e entro no mercado de trabalho, ainda em busca do sonho, saio do emprego e sou recrutado como prestador de serviços em um dos laboratórios mais prestigiados do país, em uma Universidade Pública considerada de inegável (?) qualidade, o que traz reânimo para esse cérebro ainda ávido.
Porém, em projetos desenvolvidos, a frase que mais ouço é "foque no produto e não na tecnologia", "devemos nos ater a uma metodologia de produção", "o laboratório é um recurso escasso e não pode ficar aberto após determinada hora, portanto, todos tem que sair".
Pois bem, quando se trabalha com pesquisa não se trabalha no desenvolvimento de um produto, mas sim no de tecnologia, no de conhecimento. E se não há tecnologia para que o produto funcione, ela deve ser desenvolvida. A metodologia utilizada é de pesquisa, nunca deveria ser uma metodologia de produção, pois a última implica em acelerar o processo de desenvolvimento para, em um tempo determinado e geralmente curto demais, entregar um produto, o que, mesmo quando essa metodologia de produção não ocorra, entra em conflito com a últia sentença, pois um pesquisador, quando em processo de pesquisa, frequentemente não pode dada uma determinada hora largar seu trabalho para continuar no dia seguinte como se fosse um burocrata da área pública assinando e revisando documentos. O cérebro não funciona dessa maneira, as questões perduram e caso não haja um ambiente adequado, as pesquisas, levadas dessa forma, estarão perdidas.
O que acontece com os pesquisadores atuais? Deixaram de ser cientistas para virarem burocratas? Documentando todo e qualquer detalhe do processo, através de um formalismo burro, que coloca o pesquisador em uma fôrma, moldando-o a seu bel prazer, impedindo uma análise abstrata para uma compreensão mais ampla do problema, a qual produz resultados satisfatórios em detrimento a resultados rápidos, incompletos, incorretos e sobretudo ineficazes que se tem verificado nesse novo modelo de pesquisa.
Estariam as cabeças (realmente) pensantes em risco devido aos altos egos dos gerentes de projeto, gerentes de laboratório que, antes de mais nada, pelo que tenho percebido, são os burocratas que desejam provar sua "superioridade" e serem "promovidos" para, nesse sistema capitalista, terem uma vida melhor?
É mais um sonho que está morrendo... me restam alguns poucos mais, como a música, mas ainda essa, com a população, conivente com a mídia, promove cada vez mais, a cada dia, compositores menos que medíocres, dando-lhes rios e rios de dinheiro, enquanto que aqueles que mereceriam pela criatividade e qualidade de seus trabalhos estão trabalhando pesado para conseguirem pagar o aluguel e colocar um pouco de comida na mesa...
Dessa maneira, se o mundo não parar para que eu possa descer, eu pulo...

1 Comments:

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25/10/05 17:12  

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